Pensei que precisava te dizer isso, que precisava te pedir para estar ao meu lado, não desistir de mim, não me abandonar, nem por um segundo se quer. Porque eu tenho muito medo de tudo, medo de escuro, medo de altura, medo de acordar e ter que viver. Porque eu sou um monte de carência, porque eu preciso me dividir. Estou em excesso dentro de mim. Transbordo nesse corpo pequeno demais para tudo que eu sou. Pensei. Pensei até olhar nos seus olhos me amando, nos seus olhos querendo me proteger de toda a sujeira cotidiana, então deixei de pensar e senti.
Senti que quero acordar uma pessoa um pouco melhor todos os dias por você. Quero ter a sensibilidade de olhar para suas cicatrizes e querer curá-las, acaricia-las, enfim, aceita-las, ao invés de apenas ignora-las por não pertencerem a mim. Quero ter a paciência de te querer quando você não se quiser. Quero ter a grandeza de persistir em você quando você tiver desistido. E que eu consiga te amar quando as meias jogadas no chão me irritarem até a morte. Oh querido, que eu possa te dar um abraço com carinho quando você não puder me tratar com amor. Que eu não deixe de estar ao seu lado, ser seu chão, seu porto, sua âncora, quando não der pé para você.
Porque é fácil reclamar amor, afeto e carinho, brigar por falta de atenção, ciúmes ou simples drama. É fácil querer ser dono do outro, querer o outro o tempo todo. O tempo todo bem. É fácil. Difícil é querer ficar perto quando outro não quer ficar dentro do próprio corpo. É difícil guardar a carência no bolso e ir cuidar do outro. Atravessar o oceano que separa corações em momentos difíceis. É difícil amar quando o outro não está se amando, tão pouco te amando. É fácil exigir. Difícil é se doar.